Consumo Consciente X Compras no Shopping: não tem como combinar!

Aí você, leitor assíduo do QFSR, trabalhado na evolução de consumo consciente, nem sabe mais o endereço do shopping center ou o horário de funcionamento. Só que hoje, dia 17 de dezembro,  você lembra que vai passar o Natal com a família e não comprou nada para a sua mãe, avó e namoradx e acaba correndo até o shopping mais próximo e fazendo uma compra bem mal pensada e nada consciente.

Sobre esse cenário eu tenho algumas coisas para lhe falar,

querido leitor:

Você não precisa comprar presente para ninguém se realmente não tiver muita vontade, beleza?

Você tem muitas formas de presentear que não envolvam gastar dinheiro e planeta em algo sem utilidade. Ano passado eu escrevi um post com 7 dicas para presentear com consciência no Natal e as dicas ainda são super atuais. Está sem ideias? Clica aqui que eu te ajudo.

Fuja dos shopping centers, não tem como presentear com o carinho que você gostaria se você compra em um lugar que é pura representação da repressão entre as classes. Opa, o clima ficou pesado agora? Polemizei? Desculpa, mas o post de hoje é exatamente sobre essa reflexão.

 

Precisamos aprender a lidar com a realidade da nossa sociedade

e não apenas fugir dela, beleza?

Vamos fazer um exercício? Eu vou te falando algumas coisas e você vai imaginando por aí, combinado? Você chega no shopping, estaciona o seu carro. Lá dentro, ar condicionado e um lugar extremamente impecável. Funcionários responsáveis pela limpeza andam de uniforme e tentam ser o mais imperceptíveis possível. Os seguranças estão em toda parte, esses fazem questão de não serem invisíveis e estão do lado de fora também, na calçada. Nessa calçada não existem moradores de rua, cachorros abandonados, lixo no chão ou vendedores ambulantes abordando os clientes.

Mas o que consumo consciente tem a ver com isso, valen?

Os Shopping Centers foram criados para gerar essa sensação de pertencimento a alguns e faz questão de criar uma atmosfera de mundo ideal, que infelizmente é irreal onde vivemos.

Eu entendo que moda ética ainda não é acessível para todos, ou melhor, nesse contexto em que vivemos ela é acessível para poucos. Mas estar na rua, em lojas colaborativas ou em praças participando de feiras faz com que o produtor conviva e convide seu cliente para conviver com a nossa realidade social.

Porque quando você decide que vai pertencer ao local onde se encontra com os problemas e as dificuldades que ele pode te causar, você influencia diretamente no crescimento daquele local.

Casa Jardim Secreto faz isso com maestria

Eu já penso sobre isso há algum tempo, mas foi depois de começar a trabalhar na Casa Jardim Secreto que essa relação importante entre consumo consciente x lugar onde trabalhamos x realidade social ficou mais evidente para mim.

A Casa Jardim Secreto é o espaço fixo da Feira Jardim Secreto, projeto que eu admiro muito e agora sou colaboradora também. A Gladys e a Claudia fazem questão de ocupar espaços muitas vezes esquecidos por não estar nos destinos “da moda”. Por lá funciona uma loja colaborativa de produtores independentes, uma sala para cursos, workshops e reuniões, além do Nano Café. Em resumo, um espaço para vivenciar a colaboração na sua essência.

 

A verdade é que é muito mais fácil estar em um shopping, é muito mais fácil estar em um bairro nobre, é muito mais fácil andar com a maré. Agora recolher o lixo da sua calçada para dar exemplo para os outros vizinhos todos os dias, trocar uma ideia com o morador de rua que utiliza o parklet para descansar enquanto você toma o seu café, cuidar dos cachorros que volta e meia aparecem por lá… Tudo isso tem a ver com consumir com consciência porque tem a ver com TER CONSCIÊNCIA sobre o lugar em que vivemos e da nossa responsabilidade sobre isso.

Além do que, quando uma marca ou empresa resolve se estabelecer em um local assim, acaba ajudando a fortalecer a economia local de forma geral. A gente começa a ver as coisas acontecerem, sabe? Outras empresas começam a se interessar pelo bairro, a mercearia consegue expandir por conta do aumento das vendas. E isso é muito perceptível e especial.

Bom, essa foi a minha reflexão de fim de ano para vocês! Contem para mim o que vocês acham sobre isso. Aproveita e me conta também onde você resolveu comprar os seus presentes de Natal?

Beijos da valen 

Sobre a Casa Jardim Secreto: 

Rua Conselheiro Carrão, 374 – Bixiga, São Paulo.

Instagram: @casajardimsecreto

Site: http://www.feirajardimsecreto.com.br

Curadoria de produtos:

  • Feitos no Brasil;
  • Produção justa e regional; 
  • Produção artesanal;
  • Mulheres empreendedoras;
  • Matérias primas naturais/orgânicas; 
  • Apoio ao pequeno produtor; 
  • Apoio a projetos sociais; 

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3 Comentários

  1. Tenho algumas coisas a dizer: Seu conteúdo é bom de verdade, mas ele é elitista. Como querer mudar uma estrutura quando seu discurso só é direcionado a uma pequena parcela intelectualizada da sociedade? E a mulher pobre, onde entra nessa história? E a pessoa sem instrução suficiente onde fica? Você precisa democratizar suas informações, abranger, acolher. Conscientizar mais pessoas com vidas confortáveis como a sua a abraçar quem não possui recursos suficientes, sequer para se alimentar de maneira segura. A Casa Jardim Secreto é uma opção, mas não pode ser única. É preciso que essa geração consumo consciente de canudos descartáveis se importem com o que realmente importa.

    1. Eu concordo 100% com o seu comentário, Andressa! Inclusive, eu me pergunto isso todo dia. Será que estou fazendo algo positivo de verdade? Será que o que eu falo aqui é o que o mundo precisa ouvir? E depois de muito refletir sobre isso eu entendi que, a princípio, esse é o público o qual eu atinjo e com o qual eu me comunico facilmente pq é o grupo do qual eu pertenço. E que, sinceramente, ainda tem muito o que aprender e mudar em relação aos hábitos de consumo. As pessoas na minha faixa etária e econômica tem dinheiro para apoiar pequenos produtores, só não fazem pq ainda não entendem e valorizam esse trabalho.
      Mas não pense que eu sou uma alienada, ou não estou estudando e tentando entender melhor os problemas sociais relacionados aos hábitos de consumo. Ou que eu não penso em como democratizar essa informação, isso é algo que fica na minha cabeça dia e noite. Mas enquanto não tenho uma resposta ou um plano não acho perda de tempo dividir minhas reflexões com outras pessoas. O que você acha?

      obrigada pela sua contribuição, é sempre muito rico poder conversar sobre essas questões com outras pessoas.
      ah e desculpa a demora na resposta. o blog estava temporariamente pausado, mas esse mês volta com tudo.

      beijos
      valen

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